Vida louca vida, vida breve.
Já que eu não posso te levar, quero que você me leve.
Incolor, transparente, indiferente. Era assim que Bia se sentia quando pisava naquele gramado ridiculamente verde e artificial, repleto de olhares tortos e sem graça. Cinzas. Ela odiara seu colégio desde o início do ano -era novo para ela-, não pelo seu método de ensino e nem pelos professores -ela até gostava deles-, mas pelas pessoas que ali estudavam. Todos cheios de sí, eles tinham um péssimo hábito de julgar as pessoas. Não vamos generalizar, haviam pessoas legais também, que dividiam seu tempo e interesses com Bia. E o lanche ás vezes. Mas falar de pessoas boas não tem a menor graça, já que são as ruins que tem histórias, digamos divertidas, para contar.
28 de outubro de 2008. Bia guardou essa data na cabeça, pois este foi um dia especial para ela. O dia em que o cinza se tornou azul. Um azul piscina surrealmente real. Quase ninguém notou aquele garoto novo saindo de um Corolla modelo 2007 preto, com seus cabelos castanhos escuro ao vento, e uma expressão sem emoção. Mas Bia reconheceu de longe aquela pessoa, afinal, como ela poderia esquecer aqueles olhos que lhe perseguiam em seus sonhos? Eis a questão.
A expressão sem emoção não saiu do rosto de Pedro naquela manhã.
Bia passou a ver o mundo mais azul, e deixou o cinza sem graça para trás.