Eu queria ter uma bomba, um flit paralisante qualquer
pra poder me livrar do prático efeito, das tuas frases feitas, das tuas noites perfeitas. Perfeitas
Naquela manhã de abril, Bianca ergueu a cabeça como num reflexo, e seus olhos se afogaram naquele azul piscina que a fitava. Ela ainda não sabia seu nome, mas logo descobriria que era Pedro, o garoto novo da casa ao lado. Depois de alguns segundos, os olhos lembraram de piscar, e foi assim que Bia notou aquela figura ao chão juntando os livros caídos de biologia e física. Ele se levantou, sorriu e disse “Oi, como vai? Eu sou Pedro, acabei de me mudar para a casa ao lado”.
Esse foi um dos momentos em que Bia não desejou ter um flit paralisante qualquer. Na verdade, talvez, ela preferisse algo que só paralisasse. Assim, os olhos dela poderiam nadar eternamente no azul piscina.