Estamos meu bem por um triz pro dia nascer feliz…
Segunda 11:30 a.m
Mais uma semana de aula começara. Bianca mirava o relógio antiquado que se encontrava bem em cima da lousa. Comparado com o resto da sala, aquele era um objeto curioso. Era um relógio cuco. Bia gostava de esperar o cuco aparecer, achava aquilo de longe engraçado. Ela olhava com atenção para o relógio, e de vez em quando para a lousa, que se encontrava atolada de cálculos, quando a porta da sala abriu. Era a menina que dava avisos. Ela não se importa nem um pouco em interromper aulas e, Bia observou, agia com certa superioridade.
- Então, garotos – Bia levou a mão a boca para disfarçar o riso. Ver uma menina com cerca de 20 anos tratá-los como crianças era de certa forma cômico - Posso saber qual é a graça, srta. Lopes? – Todos imediatamente voltaram os olhares para Bianca, que de pardo passou a vermelho.
- Não é nada – Se esforçou para responder, diante dos olhares curiosos.
- Se é esse o caso, então permita-me continuar o que pretendia dizer. Sem interrupções agora, por favor – Os olhares mudaram de direção, mas um em particular demorou-se mais. Bia corou mais ainda ao ver que eram aqueles olhos que a fitavam. Aqueles olhos azuis piscina. Segundos, talvez, mas que pareceram muito mais para a menina. Por um longo tempo ela esqueceu onde estava, em que século se encontrava, tudo o que vinha em sua cabeça eram aqueles olhos. Quando finalmente deu por si o sinal havia tocado, e todos se dirigiam a porta da sala falando coisas como “Que legal, eu preciso comprar roupas de banho” ou “Vai ser demais! Eu tenho que ir”.
“Comprar roupas de banho pra que? O que vai ser demais? Pra onde todos vão?” Essas perguntas rondavam a cabeça de Bia, que começava a imaginar se ela tinha desmaiado ou coisa parecida.
- Bia, você esta bem? – Era uma voz conhecida que acordava a menina – Parece que você não prestou muita atenção no aviso de Marta. Ela disse que vamos ter uma aula passeio. Todos ficaram animados ao receber a noticia, mas você nem se mexeu. Você não gosta de viagens? Logo você que é chegada em historias de dragões e coisas do tipo.
Bianca ainda estava ingerindo as informações, quando percebeu que era Pedro que estava bem a sua frente. Ele parecia confuso com a situação, mas ao mesmo tempo sorria. “Se você soubesse que foi o culpado por tudo isso…”, pensou Bia, retribuindo o sorriso.
- Tem razão, eu me distrai um pouquinho. Eu sou assim, sabe? Me distraio fácil. Mas, é verdade? Vamos ter uma aula passeio? OOHH, eu amo essas coisas – Quando Bia notou já estava com a mão junto a de Pedro. Fora uma ação sem pensar. Rapidamente puxou-a para si e corou. Esperava uma reação do garoto, como a terceira lei de Newton prevê: para cada ação há sempre uma reação, oposta e de mesma intensidade. Mas nada aconteceu.
- Nós vamos a um parque aquático. Legal, não? – Pedro abriu um sorriso e pegou sua bolsa – Tenho que ir agora. Alias você também deveria ir, já tocou a uns… 10 minutos.
- 10 minutos? Ai meu Deus. Hoje é meu dia de fazer o almoço. Minha mãe vai me matar – Bianca então juntou rapidamente as coisas e saiu em direção à porta. Pedro a seguiu, afinal, iam para o mesmo destino.
- Bia?
A menina parou de correr e olhou, com uma expressão preocupada e cansada, para Pedro.
- Se você quiser eu posso te levar pra casa. Quer dizer, nós somos vizinhos, né? – Sorriu. Bianca por um momento ficou tão feliz que, mais uma vez sem pensar, abraçou o garoto. Quando se deu conta da ação, e esperou a reação, não a teve. Então os dois ficaram em repouso, por alguns segundos.